Caipirinha, com Vodca e pouco gelo! Uma caipirinha, por favor! Uma, duas, três,… seis e eu perdi a conta a partir da sétima, entre uma e outra algumas latinhas de cerveja para afogar um organismo pra lá de embriagado. Nessa empreitada junto comigo, compartilhando o mesmo copo, Carlos e Bruno, decididos e determinados a mandar toda a censura esgoto abaixo. Em processo de desapego Bruno e eu brindamos a “vadiagem”, lembranças e angustias de amores presentes outrora, agora ausentes, solúveis no álcool.
Não demora muito e perco a noção do espaço-tempo, e como num flash estou na parede do palco compartilhando com um desconhecido uma intimidade definida como intensa. Intimidade entre estranhos, muitos estranhos, que assim como as caipirinhas perdeu-se na contagem.
O que resta no dia seguinte é uma overdose de ressaca moral e física, inúmeros contatos desconhecidos no celular, mensagens exclamando: “Adorei a noite”; ou ainda perguntando: “Vamos ficar novamente?”; Confuso sobre o rosto e nome do remetente, eu apago as mensagens sem respondê-las e me apego ao meu melhor amigo desse dia, a garrafa d’água.
Um dia depois organismo desintoxicado e pronto para mais uma noitada. Mas as memorias, essas começam a voltar pouco a pouco como um fantasma pronto para puxar meu pé na madrugada. Ainda bem que nunca tive medo de fantasmas.