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Em um lugar estranho ele disse: _ O Bruno não te conta tudo, você é mais amigo dele do que ele é seu amigo. – Foi firme mas inconsistente a afirmação que saiu da boca do ex-namorado do mesmo, a serotonina correu entre os meus neurônios, na falta de confiança na informação dita, pensei comigo: ” Eles acabaram o relacionamento é normal um ficar lançando farpas sobre o outro”.

Os relacinamentos tantos de amizade quanto amorosos com gays geralmente tendem a ser essa eterna guerra fria, onde um não pode apresentar o namorado/amigo  para o outro com medo de perde-lo ou vice-versa, o que mais transparece no grosso dos relacionamentos entre dois caras é que eles estão em um relacionamento sério e estável até que não apareça alguém melhor. Porque quando aparecer eles chutam o balde. Dificilmente essas almas encontrarão o amor verdadeiro dessa maneira e por eles eu só tenho a lamentar.

Invejoso e destrutivo foi com esses adjetivos  que o Bruno te descreveu – Afirmou com convicção o ex-namorado do Diabo simpático e meu amigo, que contou os acontecimentos de uma forma cuidadosa para não me chocar com a gravidade da situação – como se fosse possível não se chocar. Continuou ele: _ E de alguma maneira ele já lhe mostrou esse ser, você que mantém os olhos vendados.

Uma pessoa que estava no meu cotidiano, participava da minha vida, convivia com os meus amigos e quem sem eu saber enfiava um punhal nas minhas costas sempre que possível a quatro anos. A questão não é ser enganado já que no Brasil a cada 30 pessoas uma é psicopata, mas ser enganado por um longo tempo. Tempo que convivi sem desconfiar do inimigo que estava ao lado, das ferramentas usadas e da  dimensão dos danos incalculados.

Quantas pessoas não se afastaram por fofocas ou personalidades fictícias atribuidas a mim?  Com uma capacidade de mentir e enganar a todo tempo, sem sentir remorso ou culpa essa pessoa levou muito, agora não mais. E quem de nós que nunca foi machucado covardemente por alguém que julgavamos dignos de nossa confiança, e nesses dias modernos quem é de verdade não sabe mais quem é de mentira. Eles estão bem infiltrados, bem apresentados, belos, bem vestidos e prontos para impressionar como um sorriso, na casca até parecem humanos mas nos sentimentos eles são os monstros do livro.

Assustado pela mordida eu continuo seguindo além da sua mente gananciosa e ele permanece no seu conto repetitivo onde os belos visitantes balançam seus braços e lançam a sombra dos inocentes no buraco da serpente na parede. É só o fim de um capítulo, agora o inimigo é lembrado por seu demasiado estrago, porém será esquecido pelos leitores e pelo autor ao final do livro.

Por fim a mascara segurou por anos, mas caiu e antes tarde do que nunca. O que foi perdido está perdido e as pequenas lembranças não significam muito quando há novas memórias a serem construídas.

Estive e  estou lutando contra  meus cobertores. Sim, estou lutando muito bem contra o mau-humor o tipo mais frustrante, e a dor de um coração partido ainda pressiona o meu peito. Por agora eu estou lutando, mas eu cruzei a linha vermelha, tentei lhe encontrar em outros corpos, finjir que eu não me importava com a pessoa que estava saindo da minha vida. Ele ainda faz minha cabeça girar mais do que eu estaria disposto a confessar. E eu tenho tido esse ego excessivamente danificado que me fez voltar a malhar e a cuidar de mim de uma forma abusiva na esperança de que um dia ele me encontre ao acaso em qualquer  esquina de um  subúrbio e arrependa-se de ter me deixado. E nesse momento eu repitirei em voz alta no silêncio da minha mente: “No fim das contas tudo valeu a pena !”

Concerteza é claro e evidente que ele nunca precissou de um álibi, mas inconscientemente eu viajo em minhas lembranças tentando detectar a ficção nos seus lábios e escavar em busca de uma contradição. E em todo o tempo livre fico tentando invadir a minha mente e cravar memórias falsas.

Recentemente descobri que um dos meus amigos não era um amigo e com a simpátia de um diabo  fico imaginando quais mentiras ou verdades foram ditas ao Cisne Negro. É esse o ponto onde o limpo se torna sujo, não havia nenhuma razão em um final de semana estavamos super bem e no outro mergulhamos no caos. Agora com as personalidades expostas ninguém me tira da cabeça que esse suposto “amigo”  literalmente cavou minha cova com suas palavras venenosas, por outro lado se ele foi tão infantil ao ponto de se afastar ao invés de procurar saber a veracidade dos fatos. É fato que ele não mereça nem um terço do sentimento aplicado nessas palavras. Eu só estou tentando apagar essa mancha, porém quando há sujeira embaixo de sujeira e tudo pega fogo fica difícil não disparar o alarme.

Eu cruzei a linha vermelha, por quase um mês sai com outros caras, cheguei a transar com dois desses sem preservativo, eu sei que  fiz mal, porém eu precisava de toda aquela  felicidade instantânea  temporária e de um tempo para lamentar sem ser lembrado das consequências. Precisava me sentir importante diante de pessoas sem importância. Um ato suicida  desnecessário. E não, eu não vou citar a passagem bíblica de Madalena para justificar os meus atos. Nesses estágios da perda eu neguei o tempo necessário, cultivei a raiva, pulei da barganha para uma leve e rápida depressão, mas a aceitação ainda não ocorreu por falta de uma razão racional. O eterno “Porque?” ainda lateja em algumas manhãs em que sem lembra do sonho eu tenho a certeza de que sonhei com ele.

E hoje jogando conversa fora com um amigo, ele me disse: ” Você é uma das pessoas mais felizes que eu conheço, está sempre com sorriso estampado, conversas interressantes, papos jogados ao vento e de bem com a vida”. Falsas aparências. Por dentro eu estou em ruínas e no fundo, bem no fundo dessa angústia eu só desejo que o tempo passe e leve a dor embora.

Confesso que a primeira vez que eu escutei Yeah Yeah Yeahs no final de 2008 e todas aquelas guitarras desconexas e barulhentas eu não gostei muito, mas havia alguma coisa na canção Gold Lion além de barulho demais para 3:07 : A voz esganiçada e imediatamente de Karen O é claro. Contudo veja que ironia com o recém lançado albúm It’s Blitz! continua exatamente a mesma coisa e  acabou conquistando os meus ouvidos, assim Fever To Tell e Show Your Bones tornaram-se magníficos também.

Trocando as guitarras por sintetizadores na maioria das faixas e carregando a voz em comoção e maturidade, It’s Blitz! consegue, com som e sensação, contar a história de um sábado à noite que o Tonight, do Franz Ferdinand, contou em letra e melodia. O disco começa com a empolgante “Zero”, que dá o tom do restante do disco e é seu próprio clímax, com uma letra que joga qualquer amante ao relegado mundo dos rejeitados.

O segundo single do albúm foi “Heads Will Roll” e  como “Soft Shock”, é agitada, animando tanto quanto “Zero”, têm o timing dançante das pistas noturnas. Dá a impressão que a banda foi buscar o melhor dos clubes lá dos anos 80. Formou-se aqui um início potente que não deve nada à primeira parada leve e nostálgica do disco, a deliciosa “Skeleton”, que oficialmente tem o clipe lançado hoje. Então aproveitando o lançamento do clipe e o filme Onde Vivem Os Monstros que está em cartaz e tem a trilha sonora na voz da guria que lidera o YYYs resolvi apresentar a banda para os que não conhecem. Tah aí uma boa opção para quem adora conhecer novidades e experimentos musicais.

Deixo vocês com o clipe da eletrizante Heads Will Roll, mas quem quiser conferir o clipe de Skeletons CLIQUE AQUI !!!

Boa Semana !!!

Spin Off: Indicamos o Lúcido Sonhador.

Aproveitando o clima de indicações, hoje encontrei esse blog Lúcido Sonhador que está começando e fala sobre os amores e as dificuldades de ter e manter um relacionamento hetero, bi ou homo. Boas vindas ao novo blogueiro, que a partir de hoje faz parte da blogesfera do Meninos e Meninas.

Clique na imagem e visite o blog.

Visitando alguns posts antigos do blog Admirável Blog Novo encontrei um que chamou minha atenção, ao qual o autor simula uma carta ao seu pai em leito de morte. Eu aceitei o desafio coloquei a imaginação e visualizei o que escreveria ao meu pai se ele estivesse partindo desse mundo.

Querido, pai.

Antes de mais nada queria agradecer por praticamente a vida toda me insentivar a seguir uma profissão que é de longe a coisa que eu mais odeio fazer na vida. Por tentar fazer de mim uma extensão sua e de seus sonhos frustrados. Lamento por não agradar, por não tentar e por não realizar obras abandonados por ti, na verdade no fundo eu não lamento.

Agradeço por toda a estabilidade financeira que sempre foi sua preocupação primária, embora eu possa contar nos dedos as vezes que tivemos uma conversa de amigos, se é que um dia tivemos. Os seus olhos críticos e o seu silêncio sufocaram todas as chances de podermos ter uma conversa franca. Sabe eu acredito em Deus, embora as poucas vezes que eu pisei em uma igreja foi praticamente obrigado por você. Eu nunca fui de seguir dogmas, nunca acreditei em verdade absoluta e tão pouco fui de seguir rotinas ou caminhos conjulgados “normais” perante os homenas. Isso nós leva ao ponto de eu ver beleza em tudo o que você julga desnecessário, teatro, livros, rock, desenhos e games. E para fortalecer essas  diferenças você  não perde uma bunda feminina de vista e uma cerveja gelada, já eu prefiro vinho seco e sexualmente não de não faço diferença entre meninos e meninas.

Bissexual sim e com orgulho. Eu nunca ensaiei essas palavras na frente do espelho, mas queria tanto ver sua reação agora. E não pare de ler por aqui porque o mais frio não foi descongelado ainda. Existe uma grande possibilidade de você vir a ter um filho gay, afinal não serei bi para sempre e nem se casarei com uma mulher para ficar escondido  com homens, como alguns filhos de seus amigos. É o quintal do vizinho não é mais verde é tão seco quanto e agora você pode engolir a seco as piadinhas que tanto alfinetaram o filho da vizinha. E para não se estender por fim agradeço principalmente por ter passado para os meus cromossomos essa dosajem de responsabilidade e justiça que eu tanto admiro em ti, mas os conceitos e preconceitos eu erradiquei da minha corrente sanguínea, e embora a nossa casca seja tão parecida,  o conteúdo tem suas grandes diferenças.

Que em outra vida possamos concertar nossos erros, porque nessa missão de pai e filho nós falhamos.

Essa música realmente é para ouvir depois de ler >>> Pitty – Malditos Cromossomos

Honestamente eu não sou desse espaço-tempo, tão pouco dessa modernidade e dessa paranóia hi-tech. Sempre gostei dos anos 50/60. Não sei da onde nasceu essa paixão anacrônica, talvez pela explosão do rock’n roll , das lambretas, as jaquetas de couro, listras, xadrez , a insersão da tv e todas as descobertas . Os japoneses já não me supreendem mais com suas bujingangas ultra modernas, televisores com centímetros de espessura, imagens projetadas em LED e/ou LCD em alta definição nem de longe –  no meu  mundinho - substituem a beleza dos 256 tons de cinza.

Está correto que a liberdade sexual que temos hoje não era nem imaginadas pelos mais entusiastas que viveram naquelas décadas,  eles também não imaginavam que teriamos câmera fotográficas digitais, que eu confesso sempre me dão uma surra com suas configurações. Revelar ?!  O fato de saber se a imagem no papel é a mesma capturada pela retina em dias anteriores, isso sim é revelaçaõ, onde congelamos um pequeno fragmento da linha temporal  na esperança de todas as emoções serem gravadas para sempre. Hoje perdemos esse dom de fotografar, basta um clique e se não estiver da maneira que desejamos e só apagar e clicar  over and over again. E todos parecem não se importar seja com a destruição ambiental ou o fato dos humanos tornarem-se obsoletos diante da tecnologia.

O vinil é minha paixão atemporal , todo o ritual de preparação desde a colocação do disco na vitrola até encontrar o ponto certo da música e  trocar os lados, é  algo que me encanta e todo esse processo faz você viver a música, sentir a melodia e se fazer parte de tudo aquilo. Hoje carregamos milhares de músicas em aparelhinhos cada vez menores e fones de ouvidos potentes. Dessa forma o MP3 dominou o mundo tornando-se dispensável o uso de CDs e fazendo da música uma arte descartável. Por algum motivo eu insisto em não ceder para as maravilhas que a tecnologia nos traz! Sério, eu  gosto de carregar grandes pedaços analógicos de plástico para ouvir músicas, sendo  julgado por muitos com uma qualidade  inferior. Ok, DJs. Podem me chamar de  bizarro… nem eu me entendo. E em 2009 não me contive de alegria ao ler que a PolySom a única fábrica de vinil do Brasil  seria reaberta e produziria 40 mil discos por mês.

O cinema tão bom quanto a sonoridade de McCartney e Lennon, não ostentava  de efeitos visuais e computação gráfica abusiva para lotar as salas. Tudo era feito artesanalmente, e embora os frames das fitas cassetes  fossem gritantes comparados ao FULL HD, os roteiros eram superiores e seguravam o público do começo ao fim, atrevo-me a dizer que poucas vezes daqui para frente vamos encontrar boas hístorias nesse mundo cinematográfico que foi invadido por super-heróis , remaques mal argumentados e adaptações de obra literárias. A falta de  criatividade e originalidade esmaga cada vez mais a sétima arte e não haverá IMax ou 3D Digital que salve o cinema desse destino trágico.

Não sou hipócrita e confesso não consigo viver sem internet e um bom computador que rode  jogos com gráficos realistas e enredos surreais, porém ainda jogo Atari, encarno o Mario Bros na sua eterna missão de salvar a princesa e fujo dos monstrinhos do Pac Man. Ilariante esses meus dois lados que lutam entre si.  Partindo desse ponto voltei a deixar o blog com o tema antigo, não me acostumei e me rendi ao meu apego as coisas passadas. E fala sério ninguém merece aquele verde, alguns até tentaram me avisar – By Giuliano – mas eu despertei desse pesadelo em clorofila.

Benção ou maldição? Um dia eu ainda morro de nostalgia de um tempo que eu ainda não existia.

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